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Espanha volta a sonhar

Ao longo dos anos, os espanhóis têm tido bons começos e pouca sorte nos quartos-de-final, mas a situação alterou-se no que toca ao segundo aspecto.

A Espanha vai procurar vencer pela segunda vez o Campeonato da Europa
A Espanha vai procurar vencer pela segunda vez o Campeonato da Europa ©Getty Images

Antes do arranque do UEFA EURO 2008™, Luis Aragonés afirmou que só faltavam duas coisas à Espanha para se sagrar campeã europeia: saber "controlar" o jogo e aquela pontinha de sorte. E não há melhor forma de controlar as emoções de uma partida do que jogar uns quartos-de-final com o campeão do Mundo e vencer nas grandes penalidades, provando-se, assim, que a Espanha cresceu. A sorte também não tem faltado, desde um remate da Rússia ao poste no primeiro jogo da fase de grupos até ao momento em que Iker Casillas superou Gianluigi Buffon no emocionante final de encontro em Viena, no passado domingo. Ainda assim, os espanhóis não precisaram de sorte para vencer a Rússia, na quinta-feira.

Caminhada até à final
A vitória, por 4-1, sobre os russos na estreia no Grupo D aconteceu depois de uns primeiros 20 minutos muito complicados e graças à inspiração de David Villa, autor de três golos e que teve, ainda, um papel fundamental no quarto. Volvidos quatro dias, a Espanha defrontou a Suécia e tomou a liderança graças a um livre estudado concluído por Fernando Torres, antes de Zlatan Ibrahimović empatar para os nórdicos. No entanto, perto do final do encontro, Villa assinou o quarto golo no torneio e assegurou o primeiro posto do agrupamento. Com o objectivo cumprido, Aragonés descansou quase toda a equipa contra a Grécia e, ainda assim, venceu por 2-1, com Rubén de la Red e Daniel Güiza a marcarem os golos.

O jogo dos quartos-de-final com a Itália não teve qualquer tento em 120 minutos e, apesar de Buffon ter defendido a grande penalidade de Güiza, Casillas foi o verdadeiro herói ao travar os remates de Daniele De Rossi e Antonio Di Natale. A Cesc Fàbregas coube a honra de converter o penalty decisivo (4-2). Fàbregas teve novamente um papel decisivo frente à Rússia, nas meias-finais, ao entrar para o lugar do lesionado Villa. Depois de Xavi ter dado vantagem à sua equipa, o médio do Arsenal FC esteve nas assistências para os tentos de Güiza e David Silva.

Registo em finais
A Espanha venceu o troféu Henri Delaunay em 1964, ao bater na final a União Soviética, por 2-1, em Madrid, com o tento decisivo a ser apontado por Marcelino, a seis minutos do final. Vinte anos mais tarde, a selecção espanhola perdeu a final para a anfitriã França, tendo sido derrotada com golos de Michel Platini e Bruno Bellone, no Parc des Princes.
• 1964 USSR V 2-1
• 1984 França D 2-0

Momento-chave
Sem qualquer dúvida, as defesas de Casillas nas grandes penalidades de Daniele De Rossi e Di Natale, nos quartos-de-final. O “milagre” aconteceu no dia 22 de Junho, uma data de má memória para os espanhóis, já que no Mundial de 1986 perdeu, também nos penalties, com a Bélgica, e voltou a ter a mesma sorte frente à Inglaterra (EURO '96™) e Coreia do Sul (Mundial de 2002). Sempre num dia 22 de Junho.

Jogador em destaque
Até sofrer uma lesão muscular nas meias-finais, Villa tinha sido o homem em destaque na selecção espanhola. Na sua ausência, Casillas assume todas as atenções, até porque já tinha sido decisivo na vitória sobre a Itália. Frente aos russos, efectuou uma defesa espectacular a remate de Roman Pavlyuchenko. Caso consiga contrariar o jogo aéreo dos alemães, arrisca-se a ser a principal figura deste Europeu.   

Tácticas
Contra Rússia, Suécia e Itália, a Espanha apresentou-se em 4-1-3-2 e sempre com o mesmo "onze" inicial. O panorama mudou nas meias-finais, quando Villa foi forçado a sair por lesão. Com a entrada de Fàbregas, Luis Aragonés optou por um 4-1-3-1-1. "Conseguimos anular o Torres e o Villa na primeira parte, mas com a entrada de outro médio, eles ganharam mais profundidade no meio-campo", admitiu o seleccionador da Rússia, Guus Hiddink
. Andrés Iniesta troca muitas vezes de flanco, da direita para a esquerda, muito embora Silva se mantenha quase sempre no lado canhoto.

Registo no desempate por penalties
Três vitórias em seis tentativas, sendo que todas as derrotas aconteceram em jogos dos quartos-de-final disputados a 22 de Junho. Foi assim com a Bélgica em 1986, com a Inglaterra em 1996 e com a Coreia do Sul em 2002. Antes deste último duelo com a selecção asiática, a Espanha tinha vencido a República da Irlanda nos oitavos-de-final também nas grandes penalidades, o que acontecia pela primeira vez desde o triunfo sobre a Dinamarca na meia-final de 1984. O triunfo de domingo contra a Itália melhorou o registo em desempates por penalties em Campeonatos da Europa para 2-1. Entretanto, Puyol, Carlos Marchena, Joan Capdevila e Xavi Hernández faziam parte da selecção espanhola que perdeu com os Camarões na final dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, sendo derrotada por 5-3 nas grandes penalidades depois de um empate a dois golos.

Caminhada até ao UEFA EURO 2008™
A Espanha terminou o ano de 2006 em crise, ao perder por 3-2 diante da Irlanda do Norte e por 2-0 ante a Suécia, contabilizando apenas três pontos no Grupo F. Os resultados melhoraram em 2007, apesar de um empate a uma bola contra a Islândia, em Reykjavik, algo que não manchou um percurso de nove vitórias em oito jogos. A vitória frente à Irlanda, por 1-0 confirmou o primeiro lugar do grupo. "A Espanha tem vindo a qualificar-se para todas as grandes provas, por isso cumprimos apenas o nosso dever", disse Aragonés.   

Reacções
• Temos um tremendo dom para o futebol" - Casillas dá um voto de confiança à sua equipa.

• "Já o vi jogar melhor" – Pai de David Villa, depois de o avançado ter marcado três golos frente à Rússia e ter participado na jogada do quarto tento.

• "Foi a primeira vez que marquei uma grande penalidade num jogo oficial desde os 15 anos" - Fàbregas admite que era ainda um adolescente na última vez que tinha batido um penalty.

• "Conheço o Rei desde que ele era apenas um príncipe e até lhe perguntei se não nos arranjava um aumento" - Aragonés sobre a presença de Juan Carlos no balneário espanhol após a vitória sobre a Itália.

O que escreveu a imprensa
• "Cuidado Alemanha, somos uma máquina" - Jornal gratuito Qué.

• "Esta equipa já não é o Patinho Feio, que acaba sempre por perder" - AS, principal diário desportivo de Madrid.

• "Iker, a barreira espanhola" - El Pais destaca o herói dos quartos-de-final

• "Iker muda a história" - Marca, referindo-se ao facto de a vitória contra a Itália ter acontecido num dia 22 de Junho.

• "Viva a Espanha" - AS, o diário desportivo madrileno faz eco das canções dos adeptos em Viena.

• "O fim da maldição dos quartos-de-final" - A Espanha e o La Vanguardia respiram de alívio.

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